Descoberto um oceano de água salgada em Ganimedes

A NASA anunciou que pesquisadores, usando o telescópio espacial Hubble, detectaram a presença de um oceano de água salgada em Ganimedes, a maior lua de Júpiter.

Cientistas especulavam há anos sobre a existência de um oceano líquido sob a superfície gelada da lua, e os geólogos têm mapeado o exterior rochoso de Ganimedes para ter uma ideia melhor de suas características. Mas, até agora, não era completamente certo o que estava debaixo da crosta.

A chave para a recente conclusão da NASA foi a aurora vívida de Ganimedes, que foi observada pela primeira vez na década de 1990. A aurora de Ganimedes ocorre em duas correias perto de seus pólos magnéticos, assim como as auroras na Terra. E, assim como o nosso planeta, os cientistas acreditam que Ganimedes tem um núcleo de ferro, que produz um campo magnético. Quando um planeta ou o campo magnético de uma lua interage com os gases na atmosfera, auroras acontecem.

aurora-ganimedes

Aurora em Ganimedes

Segundo os pesquisadores, o show de luzes de Ganimedes faria uma vista espetacular. “Se alguém estivesse de pé em Ganimedes, olhando para cima, veria uma aurora vermelha”, disse o  cientista-chefe, Joachim Saur,  em uma conferência de imprensa da NASA. Ganimedes também tem de lidar com o campo magnético de Júpiter, o que faz com que os cintos de auroras “balancem” para trás e para frente. Mas Saur e sua equipe perceberam que a aurora não estava flutuando tanto como ela deveria, dada a influência de Júpiter.

Diferença entre uma aurora sem oceano e uma aurora com oceano

Diferença entre uma aurora sem oceano e uma aurora com oceano

A razão para a oscilação mínima? Saur acredita que há um oceano de água salgada enterrado menos de 320 km abaixo da superfície de Ganimedes. A ideia é que a água salgada líquida conduz eletricidade e, quando ela interage com o campo magnético de Júpiter, age como um eletroímã, criando um campo magnético secundário que se opõe ao de Júpiter. Isso mantém as auroras relativamente estáveis.

A notícia do oceano em Ganimedes veio um dia após cientistas publicarem resultados que indicam que a lua Encélado, de Saturno, tem um oceano morno enterrado sob sua crosta gelada. Logo serão feitos anúncios de descobertas similares, já que os pesquisadores continuam a usar técnicas como esta para investigar o nosso sistema solar. E, no futuro, telescópios mais potentes poderiam ser usados para examinar auroras em exoplanetas, procurando variações semelhantes que poderiam indicar água líquida em torno de outras estrelas.

Mas, enquanto isso, missões como a  JUICE, de exploração da lua de Júpiter, da Agência Espacial Europeia, podem nos dar uma visão de perto de Ganimedes e seus primos. “Há um monte de lugares no sistema solar à espera para serem explorados”, diz Hammel. Tudo o que nos resta é chegar até eles.