Pela primeira vez, a luz visível de um exoplaneta foi detectada

Não basta simplesmente olhar para um exoplaneta. A fim de saber mais sobre essas rochas espaciais à espreita muitos anos-luz de distância, os pesquisadores têm vários métodos indiretos para decifrar as suas características. Os astrônomos podem examinar como a estrela hospedeira do planeta oscila em relação a ele, para identificar a sua posição e a sua massa. Ou eles podem examinar o escurecimento da estrela quando o planeta passa em frente, um método conhecido como fotometria do trânsito, que ajuda a determinar o raio do planeta.

Mas, nós não podemos ver justamente o exoplaneta em ação, porque estas rochas são tão pequenas e estão tão longe, que a luz de suas estrelas hospedeiras as “afogam”.

“Imagine que você tem um poste de luz na estrada há uns 100 metros de distância, e você tem uma pequena mariposa voando em torno dele”, disse Jorge Martins, aluno de doutorado no Instituto de Astrofísica e Ciências Espaciais do Chile. “É como tentar ver a mariposa”.

Apesar dessa arapuca, Martins e sua equipe de pesquisa tiveram muito perto de conseguir uma boa visão destes exoplanetas. Em um estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics, os pesquisadores foram capazes de medir a luz visível de uma estrela que refletia da superfície de um exoplaneta pela primeira vez.

O planeta analisado no estudo, 51 Pegasi b, é atualmente pouco famoso; em 1995, foi o primeiro exoplaneta confirmado a orbitar em torno de uma estrela bastante semelhante ao nosso Sol. Mas a 50 anos-luz de distância, ainda não temos uma concepção da sua aparência.

Usando o instrumento HARPS do telescópio de 3,6 metros do ESO, no Observatório La Sille, os pesquisadores examinaram o único espectro de luz visível proveniente do sistema estelar de 51 Pegasi. Eles, então, detectaram uma cópia muito mais fraca deste espectro de luz, percebendo que esse sinal era a luz refletida por 51 Pegasi b. “É como se fosse 10.000 vezes mais fraca do que a luz da estrela”, explica Martin. Ao remover o espectro de luz da estrela e outras várias fontes de ruído, a equipe pôde isolar apenas a luz refletida pelo exoplaneta.

Martin observou que este foi um estudo de “prova de conceito”, para mostrar que a técnica pode ser feita. Mas, no futuro, a medição da luz visível refletida por um planeta pode ser usada em conjunto com as técnicas de medição dos exoplanetas existentes para recolher informações ainda mais valiosas sobre as distantes rochas espaciais.

“Ao adicionar uma outra técnica ao arsenal, obtivemos informação extra para caracterizar mais ainda o planeta. Essa técnica vai ajudar no futuro a obter mais dados “, diz Martin. “Por exemplo, podemos obter a refletividade do planeta, e daí podemos inferir, por exemplo, se um planeta pode ou não ter nuvens, por causa da quantidade de luz que pode refletir.”